Gui Athayde e seus fragmentos de memórias em colagens.

Publicado em: 7 de abril de 2010 | Categoria: Sem categoria | Por: Deise Lima |

FnP Entrevista: Gui Athayde - Fragmentos de memórias reais e imaginárias

 

Gui Athayde gostava de ver o mundo pelo visor da câmera fotográfica. Cresceu e aprendeu que podia pegar o que via e criar diferentes formas de expressão e diálogo com o mundo. Daí surgiu seu trabalho de colagem e ilustração que, segundo ele, é permeado por suas memórias. Memórias de coisas que aconteceram ou que poderiam ter acontecido. Explorando diversas formas de criar, com sua arte, Gui Athayde espera ajudar a diminuir a brutalidade do cotidiano. 
Fernweh por Gui Athayde

Fernweh por Gui Athayde

Como e por que você começou a ilustrar?

Comecei a trabalhar a imagem atraves da fotografia. E foi por ela que aprendi a ir lidando com isso, que é algo que sempre me atraiu. Quando criança, adorava pegar uma câmera e ficar vendo as coisas pelo visor. Dai acho que a evolução foi natural, depois de fazer faculdade de Publicidade e conhecer o design, as possibilidades foram se abrindo: o trabalho de ilustração com tipografia, a ilustração digital e a colagem. E desde então essa vem sendo uma importante forma de expressão para mim, de diálogo com o mundo.

Onde você busca a inspiração para o seu trabalho?

Busco inspiração na memória, tanto em coisas que aconteceram comigo, quanto de coisas que eu imagino que aconteceriam. A memoria é essa coisa inventada e distorcida, no meu trabalho eu vou dando forma e registrando tudo que eu me lembro, ainda que sejam completamente diferente da realidade. O que eu produzo é uma interpretação de coisas que eu vejo no cotidiano, dos livros que leio, dos prédios que vejo, da exploração da cidade. De tudo isso que me chama a atenção, fico sempre com algumas coisas fixas na cabeça e preciso dizê-las de alguma forma. 

 

Os classicos inesqueciveis por Gui Athayde

Os classicos inesqueciveis por Gui Athayde

Que referências (arte,outros artistas, literatura, música, etc) você diria que mais influenciam seu trabalho como Ilustrador?
A arte pop é a minha maior referência, o trabalho de Andy Wahrol ajudou a despertar a minha curiosidade em relação a arte. Expressões diversas me influenciam, como a moda, arquitetura, literatura, música. Atualmente, posso destacar entre minhas referências, os trabalhos de Frida Kahlo, Sophie Calle, Ronaldo Fraga, Clarice Lispector.

 

Mais azul por Gui Athayde

Mais azul por Gui Athayde

Que materiais e suportes você usa para trabalhar?Gosto de trabalhar com multiplicidade de materiais, mas o suporte é basicamente o papel. Utilizo muito técnicas de colagem, sempre fazendo um trânsito entre o manual e o digital. Não tenho um processo definido, meu trabalho pode começar no computador e depois terminar manualmente, ou o inverso. E nesse processo manual, o trabalho vai desde colagem com fotografias a interferências com nankin, tintas, solventes. As padronagens e texturas são constantes em meu trabalho: acho que a repetição cria significados ao que pode passar desapercebido, chamando atenção para os detalhes.

Qual a sua visão sobre a ilustração como meio de expressão e arte?

Eu acho que a arte cumpre seu papel quando chega nas pessoas, sensibilizando-as ou fazendo-as pensar. E a ilustração funciona assim, pelo que observo. Ou ainda que funcione como uma coisa que a pessoa acha bonita e quer ter na parede da sua casa, isso passa a fazer parte da vida delas. Talvez a arte não mude a vida de ninguém, mas enquanto deixar o dia-a-dia mais aprazível, ou bonito, talvez isso nos tire um pouco da brutalidade do cotidiano.

Corpo-so'; n.5 por Gui Athayde

Corpo-só; n.5 por Gui Athayde

A ilustrações de Gui Athayde fazem parte do especial ‘Fragmentos: Memórias’ e estão a venda no Foto na Parede a partir de R$169, em edição limitada de 250 ou 100 impressões. Os tamanhos variam de 20×30cm a 40×60cm. Você ainda pode optar por levar a imagem já montada em painel de madeira.

Por: Deise Lima |