Mulheres de Março.

Publicado em: 4 de março de 2010 | Categoria: Galeria Foto na Parede, Isso é arte, Mulheres, Prata da casa | Por: Deise Lima |

“Não se nasce mulher, torna-se mulher.” (Simone de Beauvoir)

A frase - que tornou-se ícone do movimento feminista - foi citada em “O segundo sexo” , obra publicada por Simone de Beauvoir em 1949.  Simone apregoava que as características associadas tradicionalmente à condição feminina derivam menos de imposições da natureza e mais de mitos disseminados pela cultura e pelos homens.  Defendia o conceito de liberdade, e ajudou a criar em muitas mulheres a noção de que teríamos direito às nossas próprias vidas, de que poderíamos escolher o nosso rumo e de que a nossa sexualidade nos pertencia.

Escolho Simone e a frase pelo ideal de liberdade que ambas representam, mais que por acreditar que simplesmente nos tornamos mulheres. Acredito que algumas condições do feminino nos são inatas, e a magia está em saber tirar máximo proveito delas para exercitarmos nossa merecida, desejada e almejada liberdade. E temos muito que agradecer a Simone por isso.

08 de março é oficialmente o Dia Internacional da Mulher, adotado pela ONU, desde 1975. Março é o mês da Mulher. O Foto na Parede nasceu do desejo, da fraterninade, da união e da liberdade de duas mulheres-irmãs. Não poderíamos deixar a data passar em branco.

Em março, lançamos 4 novas artistas - cada uma com seu particular olhar feminino sobre o mundo, o cotidiano, a vida e nós mesmos.

Bruna Prado

“A fotografia me permite aproximar daquilo que hoje é meu foco principal: vivências. Descobrir novas realidades, do nosso povo e da nossa cultura”, diz Bruna.

Da séria "Mais próximo há natureza...", de Bruna Prado.

Da séria "Mais próximo há natureza...", de Bruna Prado.

“Mais próximo há natureza… nasce da necessidade de um olhar atento, voltado para a preservação dos recursos naturais do planeta, indispensável para a continuidade da vida no futuro. O apelo é representado pela aproximação de um olhar clamando por reflexão.”

Janine Bergmann

Autodidata,  fotografa desde 1976.  É aquariana.

"Pátria", por Janine Bergmann

"Pátria", por Janine Bergmann

Diversa: “Poesia, viagens e meio-ambiente, me interessam muitíssimo.”
Modesta: “Dizem que faço poesia com o olhar, mas domino melhor as palavras do que as imagens… No entanto, sou melhor para ouvir do que para falar”
Apaixonada: “Nunca tive o Rio de Janeiro nos meus planos de vida nem nas minhas rotas de viagem, mas essa foi a cidade que escolhi para viver ao lado de quem amo e não me imagino morando em outro lugar”
Plena: “Sou totalmente satisfeita comigo mesma, fisicamente falando. Não quero mudar, adicionar ou tirar nada; minha principal meta, em relação a isso, é envelhecer com dignidade e aceitação tranquila, tendo a mente serena, harmoniosa, equilíbrio e paz interior. “
Autêntica: “Eu nunca quis ter filhos (pelo simples fato de que não tenho a menor vocação pra maternidade…rs), preferi ter árvores; já plantei centenas delas”
E cita uma frase que resume bem tudo: ”Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é” .
Eu concordo.

Simone Belintani

Desenhando desde pequena, Simone Belintani sempre foi apaixonada pelas artes. Sua inspiração vem de situações cotidianas, cinema, livros, art nouveau e seu estilo se caracteriza principalmente no retrô. Sua obra é extremamente feminina.

"Date", por Simone Belintani

"Date", por Simone Belintani

Sabrina Barrios

Sabrina nos brinda com sua volta ao nosso catálogo, com o especial “Freak Project” - com todas as imagens em edição limitada. É gáucha de Santa Maria-RS. Designer. Moradora de nova York, há quase 1 ano.

Seu trabalho, super intuitivo, experimental e contestador, contém várias mensagens subliminares, que o espectador só vê se observá-lo por algum tempo.

"Presidente", por Sabrina Barrios.

"Presidente", por Sabrina Barrios.

Sabrina inspira-se em outra grande mulher - Clarice Lispector - para se definir:
“sou como você me vê.
posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania.
depende de quando e como você me vê passar.”

E para finalizar este post em homenagem as mulheres, cito trecho de uma entrevista de Fernanda Montenegro a revista Bravo - publicada na época do lançamento do monólogo “Viver sem tempos mortos” em que interpretou Simone de Beauvoir - quando perguntada se sua mãe trabalhava fora:

“Não. Era uma ótima dona de casa, uma administradora emérito do lar. Cuidava com carinho e eficiência de meu pai, um modelador mecânico, e das três filhas. Quando ficou viúva, caiu em depressão. Tinha mais de 80 anos e procurou uma psicanalista. Expôs as angústias à terapeuta e depois a ouviu, ouviu, ouviu. De repente, interrompeu a conversa e revelou: “Doutora, sabe do que gostaria mesmo? De liberdade”. Veja bem: minha mãe precisou chegar à extrema velhice para conseguir expressar o que de fato almejava. “

Três vivas a nós mulheres.

Por: Deise Lima |