Grandes Mulheres: Diane Arbus
Publicado em: 10 de março de 2010 | Categoria: Isso é arte, Mulheres, Promoção | Por: Deise Lima |
“Para mim o sujeito de uma fotografia é sempre mais importante que a fotografia. E mais complicado…” (Diane Arbus)

Diane, retratada pelo então marido Allan Arbus. 1949.
Nova-iorquina, nascida Diane Nemerov em março de 1923, seus primeiros contatos com a fotografia se deram através do marido Allan Arbus, Trabalharam juntos durante anos na área de propaganda, contribuindo para revistas como Glamour, Seventeen, Vogue, Harper’s Bazaar, sendo Allan o fotógrafo e Diane sua assistente.
Mas, numa expansão inevitável que já não lhe permitia mais permanecer no papel coadjuvante, Diane Arbus foi tomar lições formais na Escola de Nova Iorque com Lisette Model - a quem atribuía grande parte de seu estilo e métodos. Em 1958, estava separada de Allan, com trabalhos “solo” para revistas como Esquire e The Sunday Times Magazine. Mas o universo fashion não era sua prerrogativa; Arbus estava particularmente interessada nas intimidades anônimas, no estranho e no bizarro.
Nas duas décadas seguintes, munida de uma câmera Rolleiflex, em médio-formato e sempre em preto e branco, Diane inovou e deixou sua marca no mundo da fotografia ao buscar nas pessoas comuns (ou nem tanto) das ruas de Nova York os seus modelos.
Ninguém passa impunemente diante de uma fotografia feita por Diane Arbus. A imagem desconcerta o nosso olhar e permanecemos capturados pela estranha sensação que ela provoca.

Child with a toy hand grenade in Central Park, 1962. (Criança com uma granada de mão de brinquedo no Central Park)

Waitress nude, 1965. Garçonete de um campo de nudismo.
Seus modelos, em geral, posam estáticos, o olhar fixo na câmera. Seus retratos expõem cruamente o retratado em sua condição humana, fortemente marcada por um traço que os insere num grupo específico: imigrantes, travestis, velhos, nudistas, mascarados, atores, “freaks”. Abre-se um curioso diálogo entre aparência e identidade. Uma pessoa é o que ela parece ser? Sua imagem funciona como um carimbo de identidade? Ou existe um “para além” da forma?
Apesar de profundamente inseridos num contexto social, para Diane seus modelos são pessoas únicas que representam metáforas delas mesmas. Ela dizia de seus modelos (em tradução livre de suas palavras):
“Inventados por suas próprias crenças, são autores e heróis de um sonho que se faz real na medida em que nós, espectadores, nos permitimos deixar abismar”.
Ao evocar a cumplicidade de quem olha, a fotógrafa permite que surja nesta relação a três (a própria Diane, seu modelo e o espectador) o espaço da fantasia. Seria este o “mais além”, para além da forma?

Retired Man and his wife at home in a nudist camp one morning, New Jersey, 1963. (Homem aposentado e sua esposa numa manhã em um campo nudista)

Puerto Rico woman with beauty mark, 1965. (mulher porto-riquenha com pinta da beleza)

Two girls in matching bathing suits, 1967. (duas garotas com trajes de banho combinados)

Triplets in their bedroom, 1967. (tri-gêmeas em seu quarto)
Diane costumava dizer: “um retrato é um segredo sobre um segredo”. Quanto mais ele revela, menos sabemos, mais ficamos intrigados. O retrato convida a uma opinião, pede uma reação, reação esta calcada nas representações que brotam do imaginário de quem olha.

Jewish giant at home with his parents, 1970. (Gigante judeu em casa com seus pais)

Os números foram sorteados de um chapéu. Eles foram simplesmente escolhidos Rei e Rainha de um baile de terceira idade, em Nova Iorque. Yetta Granaf tem 72 anos e Charles Fahrer, 79. Eles nunca haviam se encontrado antes. 1970

Untitled, 1970. (sem título)
Sobre seu interesse por personagens ‘bizarros’, Diane afirmava sentir ao mesmo tempo fascinação e vergonha:
“Como um personagem de um conto de fadas, o freak aparece para nos obrigar a decifrar um quebra-cabeças. A maioria das pessoas passa a vida temendo uma experiência traumática. Os freaks nascem banhados pelo trauma. Com isso passam no teste da vida. São aristocratas”.
Em 1963, Diane Arbus ganha uma bolsa da Fundação Guggenheim, pelo seu projeto “American rites, manners and customs” (Ritos, maneiras e costumes americanos), renovada em 1966. Durante os anos 60, lecionou fotografia na Parsons School of Design e no Cooper Union, ambos em Nova York. A primeira grande exibição de suas fotografias ocorreu em 1967, no Museum of Modern Art (NY), entitulada ”New Documents” (”Novos documentos”).
Se como costumava dizer outra grande mulher e fotógrafa, Dorothea Lange - “Cada retrato de outra pessoa é um auto-retrato” - talvez seja possível concluir que as fotos de Diane Arbus são o seu duplo, o reflexo de uma alma atormentada à beira do horror. Em 1971, a fotógrafa se suicidou ingerindo barbitúricos e cortando os pulsos, aos 48 anos.
Sua obra segue sendo reverenciada, e inúmeras exposições dedicadas a seu trabalho foram realizadas após sua morte. Em 2006, é lançado o filme “A pele” estrelado por Nicole Kidman e inspirado na vida de Diane Arbus.
(principais fontes: texto da psicanalista Maria Helena Mossé, blog “O século prodigioso”, wikipedia)
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Por: Deise Lima |




