A Fotografia que nos inspira.
Publicado em: 9 de agosto de 2009 | Categoria: 19 de agosto: Dia Mundial da Fotografia, FnP Informa | Por: Deise Lima |
Em 19 de agosto de 1839, o governo francês comprava a patente de uma invenção do também francês Louis Jacques Mandé Daguerre e a doava ao mundo. 170 anos depois, ainda agradecemos. A tal invenção havia sido batizada de Daguerreotipia, e consistia numa câmera escura que captava e reproduzia imagens, após 20 minutos, em uma pequena chapa de cobre com a superfície de prata polida.
No entanto, a história da fotografia começa bem antes, desde que o homem descobriu que uma cena se reproduz - invertida - dentro de uma câmera escura na face oposta a um pequeno orifício que recebe a luz. Registros indicam que era assim que Aristóteles observava o fênomeno do eclipse solar.
A câmera escura fascinou diversos inventores que buscavam formas de fixar a imagem reproduzida. Outro francês, Joseph Niépce, foi quem desenvolveu a Heliografia - “mãe” da Daguerreotipia - e que consistia no processo de fixação da imagem em uma placa de metal coberta de betume, após longas 8 horas de exposição. Daguerre soube dos experimentos de Niépce, e em 1829 os dois firmaram um acordo de cooperação entre suas pesquisas. Niépce morreu 4 anos depois mas foi peça fundamental na invenção da Daguerreotipia, que registrou para a posteridade o nome de seu parceiro de pesquisas.
Enquanto isso, outros inventores trabalhavam em seus próprios experimentos. Foi o caso do inglês William Henri Fox Talbot, o primeiro a captar imagens em nitrato de prata usando um processo negativo \ positivo, batizando-o de Calótipo. Apesar da fama do daguerreótipo, é o calótipo o processo que mais se assemelha a fotografia analógica que conhecemos hoje com seus filmes negativos e processo de revelação. Por aqui em terras brasilis, em 1833 e 6 anos antes do daguerreótipo, o francês radicado no Brasil Hercules Florence imprimia coisas como rótulos de farmácia expondo-os ao sol em contato com papéis sensibilizados com nitrato de prata, e batizava esse processo de fotografia.

Daguerreótipo de Edgar Allan Poe, registrado em 1848.
Com tantos experimentos, o sucesso do Daguerreótipo se devia a qualidade de sua imagem, com resolução muito superior a de seus ‘concorrentes’ pela riqueza de detalhes e boa reprodução de meios tons. Muitos daguerreótipos foram produzidos nas décadas seguintes para eternizar imagens de figuras célebres, como a de Edgar Allan Poe que ilustra este post, mas também para registrar cidades e costumes. Dom Pedro II, então imperador e com 14 anos, foi um dos grandes incentivadores da fotografia e o primeiro daguerreotipista brasileiro, adquirindo sua câmera 6 meses após sua invenção. Devemos a Dom Pedro II os registros da então capital do Império, por tantos fotógrafos estrangeiros que desembarcaram por aqui sendo, provavelmente, o mais importante o francês Marc Ferrez - responsável por vasto registro fotográfico do Rio de Janeiro do século XIX.
Já a popularização da fotografia devemos ao americano George Eastman que, em 1888, lança no mercado a sua câmera portátil -a Kodak, sob o slogan “Você aperta o botão e nós fazemos o resto”. Ela vinha carregada com um rolo de filme com capacidade para 100 fotografias e, depois de feitas as fotos, bastava enviar a máquina a Eastman Kodak para receber de volta as 100 imagens em papel cartão e a máquina carregada com outro rolo de filme. Já a primeira fotografia em cor a ter sucesso comercial foi a Placa Autocroma dos irmãos franceses Lumiére, aqueles do cinema, em 1907.
Nós, do Foto na Parede e amantes da fotografia, agradecemos a Daguerre, Niépce, Talbot, Florence, à França, a Dom Pedro II, George Eastman, Kodak, os Lumiére e a tantos outros que - como nós - se deixaram fascinar pela arte de capturar e registrar para a posteridade o nosso olhar sobre tudo que nos cerca.
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No dia 19 de agosto - Dia Mundial da Fotografia - o Foto na Parede propõe uma grande homenagem coletiva: Você posta em seu blog, site, flickr, orkut, facebook (ou qualquer outra mídia que te convenha) uma fotografia que te marcou sob o título “Uma fotografia que me inspira” e publica um texto que explique porque aquela imagem é tão marcante e valiosa para você. Vale fotografia de grandes mestres, da sua família, do seu lugar preferido, da praia que você sonha visitar, uma que você produziu e se orgulha, de digital, analógica, celular. O que importa é ser uma imagem que te emocione, que te toque de alguma forma, ou simplesmente aquela que cisma em não sair da sua mente. Se você não imagina a sua vida sem Fotografia, seja como arte ou como registro, participe. Vamos celebrar a arte fotográfica! |
Por: Deise Lima |





